5.11.07

The Sounds Of Silence
Simon

Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence

"Fools", said I, "You do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words, like silent raindrops fell
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said, "The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls"
And whispered in the sounds of silence

10.7.07

(Ok... É isso aí)

Entra e vem correndo para mim
Meu princípio já chegou ao fim
E o que me resta agora é o seu amor
Traga a sua bola de cristal
E aquele incenso do Nepal
Que você transou num camelô

(É)

E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó
E me empresta o seu colar
Que um dia eu fui buscar
Na tumba de um sábio faraó

(Devagar)

Veja quantos livros na estante
Don Quixote, o cavaleiro andante
Luta a vida inteira contra o rei
Joga as cartas, lê a minha sorte
Tanto faz a vida como a morte
O pior de tudo eu já passei

Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí

Do passado eu me esqueci
No presente eu me perdi
Se chamarem, diga que eu saí
Se chamarem, diga que eu saí


Raul Seixas - As minas do Rei Salomão




Toca Raul!!!
quando eu tinha uns 7 anos eu viajava nessa música... imaginava tudo! Dom Quixote lutando contra um rei, bolas de cristal, um colar exótico extraído de uma tumba faraónica, um incenso estranho, onde ficaria o Nepal e como seria lá... a minha inocência até me permitia ficar vermelho de vergonha ao não entender a gíria "transou" e imaginar o sentido literal da palavra. bons tempos aqueles... maaaaas, como diz raul: "Do passado eu me esqueci, No presente eu me perdi, Se chamarem, diga que eu saí"...

;D

13.6.07

"Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida"


Canto para Minha Morte - Raul Seixas - Composição: Raul Seixas e Paulo Coelho



pq gosto dessa música... e gosto desde pequeno, quando ganhei do meu pai o LP que a contém, comprado diretamente de uma loja de vinis na década de 80... pq ele sabia que eu gostava de raul e ficava de cabeça para baixo na música que fala da cidade de cabeça para baixo... e eu achava normal e divertido existir uma cidade assim...

e pq ninguém vai comentar essa merda... então foda-se o que eu posto aqui ou não...

19.4.07

Apesar do sol forte, o dia estava cinzendo e a manhã fria. Dirigia pensando em estratégias para um novo dia que, sem dúvidas, seria outro dia cheio de obstáculos a serem traspassados. Estacionou. Ficou satisfeito por ter conseguido uma vaga boa, num local onde as probabilidades de seu carro ser roubado ou riscado ou batido eram quase nulas, dado a vaga ser protegida pelas vagas ao lado e pela constante movimentação daquele lugar, e ficou pensando como as pessoas se contentam com as pequenas e simples coisas da vida, as quais dão tanta importância desnecessáriamente.

Seu relógio o informava que não estava na hora ainda, logo acendeu outro cigarro e resolveu esperar olhando o nebuloso céu daquele momento, onde os silfos brincavam de fazer formas diferentes a cada olhar, mas de um mesmo explendor que facina à cada um que olha.

Um barulho de freio e um de batida. Ao longe se via quatro rodas que apontava para aquele infinito turvo e não se preocupou, pois resolveu repelir a hipocrisia que toma conta de todo humano que, ao ver um acidente vai até o mesmo bradando querer ajudar, porém deveras estar apenas saciando a própria curiosidade e tendo o regozijo de observar o acidente e saber que aquele não é um problema dele.

Enfim desperta destas divagações e, ao apagar o fumo então findado, acaba por entrar mais uma vez naquele covil, onde as pessoas se transformam em bestas lutando desesperadamente por uma sobrevivência virtual e nonsense...

11.4.07

A você, com amor

O amor é o murmúrio da terra
quando as estrelas se apagam
e os ventos da aurora vagam
no nascimento do dia...
O ridente abandono,
a rútila alegria
dos lábios, da fonte
e da onda que arremete
do mar...

O amor é a memória
que o tempo não mata,
a canção bem-amada
feliz e absurda...

E a música inaudível...

O silêncio que treme
e parece ocupar
o coração que freme
quando a melodia
do canto de um pássaro
parece ficar...

O amor são Deuses em plenitude
a infinita medida
das dádivas que vêm
com o sol e com a chuva
seja na montanha
seja na planura
a chuva que corre
e o tesouro armazenado
no fim do arco-íris.


Vinicius de Moraes (com adaptações)






ao amor! pobre de quem nunca sentiu o amor, mesmo que às vezes com dor, nunca sentiu do peito brotar tal flor, que nos enfeitiça com seu extremo e agradável olor.

5.4.07

Amor em paz

Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz

Vinícius de Moraes






há muito não escrevo... terei tempo e paz, então desenharei e pintarei e escreverei neste feriado.

um ótimo feriado à todos (poucos, porém importantes) que lêem este weblog

3.4.07

Amor, que o gesto humano na alma escreve

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.

Luís de Camões




salve o amor, pois dele a alma se alimenta e revigora suas feridas. permite ao homem que afie suas armas, pula seus escudos e enfrente o mundo de peito aberto, pois sabe que sobreviverá, porque precisa sobreviver, afinal sabe que delicados braços o esperam em casa para envolvê-lo e acariciá-lo em doces e sumptuosas carícias...

30.3.07

Busque Amor novas artes, novo engenho

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

Luís de Camões





então Camões disse tudo novamente, em apenas um breve soneto...

ao mar!

e à um ótimo fim de semana, todos nós.

28.3.07

"É Loucura

Odiar todas as rosas
porque uma te espetou...
Entregar todos os seus sonhos
porque um deles não se realizou...
Perder a fé em todas as orações
porque numa não foste atendido...
Desistir de todos os esforços
porque um deles fracassou...

É loucura...

Condenar todas as amizades
porque uma te traiu...
Descrer de todo o amor
porque um deles te foi infiel...

É loucura...

Jogar fora todas as chances de ser feliz
porque uma tentativa não deu certo...
Espero que na tua caminhada
não cometas estas loucuras!
Lembrando que sempre há uma outra chance...
Uma outra amizade...
Um outro amor...
Uma nova força...
É só ser perseverante
e procurar ser mais feliz a cada dia!"





não sei quem é o autor, se alguém souber, me avisa?

achei bonito. palavras que necessitamos escutar às vezes... nem que seja muito raramente e proferidas por lábios distantes, que não se vê, apenas se escuta...

27.3.07

Nota: a canção abaixo é meio extensa. eu acho de grande valia lê-la, mas caso não o achem podem ler somente a explicação que faço mais abaixo, ou não lerem nada.



"Canção de Crisóstomo

Pois desejas, cruel, que se publique
De boca em boca, e vá de gente em gente.
Do teu rigor a nunca vista força;
Farei que o mesmo inferno comunique
A este peito aflito um som veemente.
E à minha voz o usual estilo torça.
E a par do meu desejo, que se esforça
A contar minha dor e tuas façanhas,
Da voz terrível brotará o acento;
E nele envoltos por maior tormento
Pedaços destas míseras entranhas.
Escuta, pois, e presta atento ouvido,
Nã a aprazíveis sons, sim ao ruído,
Que desde o abismo do meu triste peito,
Obrigado e indômito delírio,
Sai para meu martírio e teu despeito.

O rugir do leão; o lobo fero
O ulular temeroso; o silvo horrendo
Da escamosa serpente; o formidável
Som de algum negro monstro; o grasno austero
Da gralha, ave de agouro; o mar fervendo
Em luta co'um tufão incontrastável
De já vencido touro o inamansável
Bramido; os ais da lúgubre rolinha
Na viuvez; o consternado canto
Do invejado mocho a par coo pranto
Do inferno todo, soem na dor minha,
E saia com esta alma exasperada
Uma explosão de música aterrada,
De confusão para os sentidos todos;
Pois a pena cruel que em mim padeço
Pede coo seu excesso estranhos modos.

De confusão tamanha ecos sentidos
Pelas praias do Tejo não ressoem;
Nem do Bétis nos ledos olivedos;
Por ali meus queixumes esparzidos
Por cavernas e penhas não ecoem
Para o mundo os terríveis meus segredos;
Vão por escuros vales, por degredos
De ermas praias a humano trato alheias,
Ou por onde jamais se enxergue dia,
Ou pela seca Líbia, onde se cria
Venenosa ralé de pragas feias;
Que inda que nesses páramos sem termo
Ninguém me escute os ais do peito enfermo,
Nem ouça o teu rigor tão sem segundo,
Por privilégio de meus curtos fados
Serão levados aos confins do mundo.

São veneno os desdéns; uma suspeita,
Ou verdadeira ou falsa, desespera;
E os zelos matam com rigor mais forte.
Ausência larga à morte nos sujeita;
Contra um temer olvido não se espera
Remédio no esperar ditosa sorte.
No fundo disso tudo há certa a morte;
Mas eu (milagre nunca visto!) vivo
Zeloso, ausente, desdenhado, e certo
Das suspeitas a que anda o peito aberto,
W do olvido em que o fogo em dobro avivo.
E entre tanto tormento, ao meu desejo
Nem uma luz de alívio ao longe vejo,
Nem já sequer fingi-la em mim procuro;
Antes, para requinte de querela,
Estar sem ela eternamente juro.

Pode-se juntamente, porventura,
Esperar e temer? E onde os temores
Têm mais razãoque a esp'rança, há de esperar-se?
Debalde os olhos furto à sina escura;
Pelas feridas d'alma os seus negrores
Não cessam um momento de mostrar-se.
Quem pode à desconfiança recusar-se,
Quando tão claramente se estão vendo
Os desdéns e os motivos de suspeita?
Ai verdades em fábulas desfeitas!
Ai câmbio infausto, lastimoso horrendo!
Ó do reino de amor feros tiranos
Zelos! dai-me um punhal; desdéns insanos,
Um baraço! um baraço! ai sorte crua,
Celebras tua última vitória;
Não há memória atroz igual à tua.

Eu enfim morro e, por que nunca espere
Que a morte me ressarça o mal da vida,
Persistirei na minha fantasia.
Direi que anda acertado quem prefere
A tudo o bem-querer, que a mais rendida
Alma é a que mais livre se gloria.
Direi que a minha algoz não acho ímpia
Senão que de alma, qual de corpo, é bela.
Que eu tenho a culpa, eu só, de sua fereza;
Que os males que nos causa com certeza
Não se opõem ao tão justo império dela.
Com esta crença e um rigoroso laço,
Da morte acelerando o extremo passo,
A que me hão seus desprezos condenado.
Darei pendente ao vento corpo e alma
Sem louro ou palma de outro e melhor fado.

Com tantas e sem-razões, puseste clara
A causa por que odeio e enjeito a vida
E pelas próprias mãos a lanço fora.
De tudo hoje razão se te depara:
Profunda e peçonhenta era a ferida;
De não mais a sofrer me eximo agora.
Se por dita conheces nesta hora
Que o claro céu dos olhos teus formosos
Não é razão que eu turbe, evita o pranto;
Tudo que por ti dei e não vale tanto
Que mo pagues com olhos lacrimosos.
Antes a rir na ocasião funesta
Mostra que este meu fim é tua festa.
Louco é quem aclarar-to assim se atreve
Sabendo ser-te a ânsia mais querida
Que a negra vida me termine em breve.

Vinde, sedes de Tântalo; penedo
De Sísifo; ave atroz que róis a Tício;
Vem, roda de Egeu com giro eterno;
Vinde a mim, vinde a mim; não é já cedo,
Tartáreo horror do mais cruel suplício,
Urnas de ímpias irmãs, cansado inferno.
Quantos sofrem tormento mais interno,
Vejam que igual cá dentro me trabalha;
E se a suicida exéquias são devidas,
Cantem-nas em voz baixa, e bem sentidas,
Ao morto, a quem faltou até mortalha.
E o porteiro infernal dos três semblantes
Coos outros monstros mil extravagantes,
Soltem-me o de profundis, pois entendo
Ser esta a pompa única devida
Do amante suicida ao caso horrendo.

Canção desesperada, não te queixes
Quando a chorar na solidão me deixes;
Se a glória dela no meu mal consiste,
E o perdimento meu lhe traz ventura,
Já minha sepultura é menos triste."

Cervantes


Esta, como diz o título, é a Canção de Crisóstomo. Rapaz letrado em letras e estrelas, que sabia dizer qual ano se deveria plantar trigo e qual deveria semear soja. Quando iria nascer e desmamar o novilho. Tomou a arte do pastoreio por encanto e acabou encantando-se pela bela Marcela, que desdenhou de seus sentimentos por ela, desdenhou de suas declarações, desdenhou de seu coração e seus pensamentos. E tal loucura e amor causou-o, por fim, o doce encontro com a Dama vestidada de cetim, que veio e com seu beijo frio o levou, sepultado, encontrar com o porteiro infernal de semblante tríplice. A canção é de Crisóstomo, mas a composição é de Cervantes, e a transcrição é de Augusto, que passa por momentos semelhantes, mas não iguais, aos de Crisóstomo.

23.3.07

"Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura

Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem perfeitos

É triste ver este homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que traz no peito
Pois ama e ama

Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata

Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz"

Guerreiro Menino (Um Homem Também Chora) - Intérprete: Fagner - Composição: Gonzaguinha




É bom, após as tempestades, pensar nelas e ver o quanto se aprende com estas dores. Assim estaremos prontos para tempestades e vendavais que virão e através deste doloroso processo acontece o milagre da evolução: o amadurecimento.

Gosto desta música. Eu a vivi. Depois que vivemos situações escritas em poesias e músicas, nos tornamos capazes de entender melhor o âmago e o sentimento destas palavras desembaraçadamente entrelaçadas. =]


see u all...
tomorrow or maybe when the wind want it... ;)

18.3.07

Árduo Olhar


Torna mais difícil aprazir-se da verdade
Quando esta, em tons de crueldade
Nos escarra na face versos de maldade
Derrubando-nos nas sarjetas da cidade

Vadia imortal que seca nossos puros sentimentos
Deixa vazios secos e tórridos dentro do peito
Daqueles que não aguentam mais tais lamentos
E exaurem forças para ignorar maldito efeito

Isso! vem e prostitua este músculo venoso
À fim de conseguir este sustento saboroso
Que necessitas para abarrotar-lhe cada tripa

Gasta todo este despojado ser de carbono e sangue
Pois ainda abriga esta mente doentia, tosca, infame
Que com todos esforços pelejas para que não exista


Augusto TMW
Sonhos Fúnebres


Ó Morpheus, o que quer dizer-me com tais cenas?
Perda infame de toda e qualquer vivência
Deitado em fúnebre cama toda minha física essência
Ao findar de vez esta dança de músicas obscenas

Pego-me divagando sobre as reações.
Parentes viriam de longe, enfim, me visitar?
Amigos se reuniriam para beber e lamentar?
Como seria tal amálgama de emoções?

E ao deitar-me no colo da mãe em descanso eterno
Lembrariam-se de mim, do nosso viver, com afeto
Ou me esqueceriam logo, quando acabasse todo tormento?

Ficaria gravado e perpétuo nas memórias incandescentes
De momentos felizes, histórias e obras passadas aos descendentes
Ou acabaria de uma vez por todas selado e abandoado no abismo do esquecimento?


Augusto TMW

17.3.07

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
- "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre.
- "Ruim " disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
- "Beba um pouco dessa água".
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- "Qual é o gosto?"
- "Bom!" disse o rapaz
- "Você sente gosto do sal" perguntou o Mestre?
- "Não" disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
- "A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo...
Torne-se um lago..."

15.3.07

"ILUSÕES DO AMANHÃ

Por que eu vivo procurando
Um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você
Eu quero apenas viver
Se não for para mim que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar
Sem nem ao menos me olhar
Me machucando pra valer.

Atrás dos meus sonhos eu vou correr
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um O meu, cadê?

Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.
Quando estou só, preso na minha solidão
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.

Talvez eu seja um tolo,
Que acredita num sonho
Na procura de te esquecer
Eu fiz brotar a flor
Para carregar junto ao peito
E crer que esse mundo ainda tem jeito
E como príncipe sonhador
Sou um tolo que acredita ainda no amor.

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos)

Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional.
Excepcional é a sua sensibilidade! (comentário anonimo)"



Talvez os diferentes somos nós, insensíveis e cegos ao mundo que nos cerca e preenche.

14.3.07

Pútridos Pensamentos

Sonho com lembranças garridas
Momentos de épocas perdidas
Que muito me deixaram feridas
E cicatrizes que durarão várias vidas

Não sei por que escrevo este poema
Muito menos a escolha de tal tema
O porque de trazer à tona este problema
Ou impedir que se crave em mim pútrido emblema

Como algo causa tamanho estrago
À ponto de ambicionar noutro trago
Teu suave e tenro paladar amargo?

Apesar desta contenda me sinto até muito bem
Despreocupado com olhos no céu à imaginar um alguém
Que votos imortais fará e ao meu lado sempre estará, amém.


Augusto TMW

13.3.07

Malvada Menina

Penso que não consigo mais me separar
Anseio o momento de te sentir
É este vazio vem ao meu peito invadir
Tão intenso que mal consigo esperar

Quando, enfim, encontro-te à esmo
Sinto teu beijo frio tocar-me os lábios
E à partir deste momento não sou mais o mesmo
Torno-me mais um poeta dos alfarrábios

Neste embalo lento segue meu pulso
Me envolves em prazerosa carícia
Em teus braços, dos problemas me esqueço
Ao tempo que me olhas com malícia

Sei que tua intenção não é das melhores
E que por tua causa, me virão tempos piores
Mas deleito-me com teu sabor de menina
Minha odiada e amada nicotina


Augusto TMW



P.S.:(esse não é dos Anjos... hehe...)

10.3.07

MONÓLOGO DE UMA SOMBRA

"Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A sáude das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!

Pairando acima dos mundanos tetos,
Não conheço o acidente da Senectus
- Esta universitária sanguessuga
Que produz, sem dispêndio algum de vírus,
O amarelecimento do papirus
E a miséria anatômica da ruga!

Na existência social, possuo uma arma
- O metafisicismo de Abidarma -
E trago, sem bramánicas tesouras,
Como um dorso de azémola passiva,
A solidariedade subjetiva
De todas as espécies sofredoras.

Como um pouco de saliva quotidiana
Mostro meu nojo á Natureza Humana.
A podridão me serve de Evangelho...
Amo o esterco, os resíduos ruins dos quiosques
E o animal inferior que urra nos bosques
E com certeza meu irmão mais velho!

Tal qual quem para o próprio túmulo olha,
Amarguradamente se me antolha,
À luz do americano plenilúnio,
Na alma crepuscular de minha raça
Como urna vocação para a Desgraça
E um tropismo ancestral para o Infurtúnio.

Aí vem sujo, a coçar chagas plebéias,
Trazendo no deserto das idéias
O desespero endêmico do inferno,
Com a cara hirta, tatuada de fuligens
Esse mineiro doido das origens,
Que se chama o Filósofo Moderno!

Quis compreender, quebrando estéreis normas,
A vida fenomênica das Formas,
Que, iguais a fogos passageiros, luzem...
E apenas encontrou na idéia gasta,
O horror dessa mecânica nefasta,
A que todas as coisas se reduzem!

E hão de achá-lo, amanhã, bestas agrestes,
Sobre a esteira sarcófaga das pestes
A mostrar, já nos últimos momentos,
Como quem se submete a uma charqueada,
Ao clarão tropical da luz danada,
O espólio dos seus dedos peçonhentos.

Tal a finalidade dos estames!
Mas ele viverá, rotos os liames
Dessa estranguladora lei que aperta
Todos os agregados perecíveis,
Nas eterizações indefiníveis
Da energia intra-atômica liberta!

Será calor, causa ubíqua de gozo,
Raio X, magnetismo misterioso,
Quimiotaxia, ondulação aérea,
Fonte de repulsões e de prazeres,
Sonoridade potencial dos seres,
Estrangulada dentro da matéria!

E o que ele foi: clavículas, abdômen,
O coração, a boca, em síntese, o Homem,
- Engrenagem de vísceras vulgares -
Os dedos carregados de peçonha,
Tudo coube na lógica medonha
Dos apodrecimentos musculares!

A desarrumação dos intestinos
Assombra! Vede-a! Os vermes assassinos
Dentro daquela massa que o húmus come,
Numa glutoneria hedionda, brincam,
Como as cadelas que as dentuças trincam
No espasmo fisiológico da fome.

E unia trágica festa emocionante!
A bacteriologia inventariante
Toma conta do corpo que apodrece...
E até os membros da família engulham,
Vendo as larvas malignas que se embrulham
No cadáver malsão, fazendo um s.

E foi então para isto que esse doudo
Estragou o vibrátil plasma todo,
À guisa de um faquir, pelos cenóbios?!...
Num suicídio graduado, consumir-se,
E após tantas vigílias, reduzir-se
À herança miserável de micróbios!

Estoutro agora é o sátiro peralta
Que o sensualismo sodomista exalta,
Nutrindo sua infâmia a leite e a trigo...
Como que, em suas células vilíssimas,
Há estratificações requintadíssimas
De uma animalidade sem castigo.

Brancas bacantes bêbedas o beijam.
Suas artérias hírcicas latejam,
Sentindo o odor das carnações abstêmias,
E á noite, vai gozar, ébrio de vício,
No sombrio bazar do meretrício,
O cuspo afrodisíaco das fêmeas.

No horror de sua anômala nevrose,
Toda a sensualidade da simbiose,
Uivando, á noite, em lúbricos arroubos,
Como no babilônico sansara,
Lembra a fome incoercível que escancara
A mucosa carnívora dos lobos.

Sôfrego, o monstro as vítimas aguarda.
Negra paixão congênita, bastarda,
Do seu zooplasma ofídico resulta...
E explode, igual á luz que o ar acomete,
Com a veemência mavórtica do aríete
E os arremessos de uma catapulta.

Mas muitas vezes, quando a noite avança,
Hirto, observa através a tênue trança
Dos filamentos fluídicos de um halo
A destra descamada de um duende,
Que tateando nas tênebras, se estende
Dentro da noite má, para agarrá-lo!

Cresce-lhe a intracefálica tortura,
E de su'alma na cavema escura,
Fazendo ultra-epiléticos esforços,
Acorda, com os candieiros apagados,
Numa coreografia de danados,
A família alarmada dos remorsos.

É o despertar de um povo subterrâneo!
E a fauna cavernícola do crânio
- Macbetbs da patológica vigília,
Mostrando, em rembrandtescas telas várias,
As incestuosidades sangüinárias
Que ele tem praticado na família.

As alucinações tácteis pululam.
Sente que megatérios o estrangulam...
A asa negra das moscas o horroriza;
E autopsiando a amaríssima existência
Encontra um cancro assíduo na consciência
E três manchas de sangue na camisa!

Míngua-se o combustível da lanterna
E a consciência do sátiro se inferna,
Reconhecendo, bêbedo de sono,
Na própria ânsia dionísica do gozo,
Essa necessidade de horroroso,
Que é talvez propriedade do carbono!

Ah! Dentro de toda a alma existe a prova
De que a dor como um dartro se renova,
Quando o prazer barbaramente a ataca...
Assim também, observa a ciência crua,
Dentro da elipse ignívoma da lua
A realidade de urna esfera opaca.

Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,
Abranda as rochas rígidas, torna água
Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!

Provo desta maneira ao mundo odiento
Pelas grandes razões do sentimento,
Sem os métodos da abstrusa ciência fria
E os trovões gritadores da dialética,
Que a mais alta expressão da dor estética
Consiste essencialmente na alegria.

Continua o martírio das criaturas:
- O homicídio nas vielas mais escuras,
- O ferido que a hostil gleba atra escarva,
- O último solilóquio dos suicidas -
E eu sinto a dor de todas essas vidas
Em minha vida anônima de larva!"

Disse isto a Sombra. E, ouvindo estes vocábulos,
Da luz da lua aos pálidos venábulos,
Na ânsia de um nervosíssimo entusiasmo,
Julgava ouvir monótonas corujas,
Executando, entre caveiras sujas,
A orquestra arrepiadora do sarcasmo!

Era a elegia panteísta do Universo,
Na podridão do sangue humano imerso,
Prostituído talvez, em suas bases...
Era a canção da Natureza exausta,
Chorando e rindo na ironia infausta
Da incoerência infernal daquelas frases.

E o turbilhão de tais fonemas acres
Trovejando grandiloquos massacres,
Há-de ferir-me as auditivas portas,
Até que minha efêmera cabeça
Reverta á quietação da treva espessa
E à palidez das fotosferas mortas!"


autoria do meu chará, Augusto dos Anjos...

1.3.07

CANTO ÍNTIMO



Meu amor, em sonhos erra,
Muito longe, altivo e ufano
Do barulho do oceano
E do gemido da terra!

O Sol está moribundo.
Um grande recolhimento
Preside neste momento
Todas as forças do Mundo.

De lá, dos grandes espaços,
Onde há sonhos inefáveis
Vejo os vermes miseráveis
Que hão de comer os meus braços.

Ah! Se me ouvisses falando!
(E eu sei que ás dores resistes)
Dir-te-ia coisas tão tristes
Que acabarias chorando.

Que mal o amor me tem feito!
Duvidas?! Pois, se duvidas,
Vem cá, olha estas feridas,
Que o amor abriu no meu peito.

Passo longos dias, a esmo.
Não me queixo mais da sorte
Nem tenho medo da Morte
Que eu tenho a Morte em mim mesmo!

"Meu amor, em sonhos, erra,
Muito longe, altivo e ufano
Do barulho do oceano
E do gemido da terra!"


Augusto (não eu, mas) dos Anjos




quem dera eu ter o dom da escrita como meu xará aí acima... talvez meus feios traços seriam melhor compreendidos, as pessoas leriam as palavras soltas de minha alma e deixariam de ver elas mesmas nos traços e veriam o autor destes...

17.2.07

Após um ano sem postagens, eis que aqui estou.

Tudo está diferente de lá para cá. Claro que a maioria dos que lerem isto já sabem disso.

Um novo começo requer práticas novas e após tanto tempo de leitura pensei o por que não escrever? Tenho um certo receio, mas creio que me sairei surpreendentemente bem.

Como web developer/designer que sou, em breve deverei fazer um novo template, bastante funcional e inteligente, mas por enquanto fica esses disponíveis mesmo.

Por enquanto é só isso. Até um próximo momento de inspiração.

P.S.: O endereço do meu fotolog mudou para http://www.fotolog.com/kurttmw